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O estado de saúde da minha irmã Susana estava a piorar, apesar da alegria da salvação reinar em nossos corações, a minha irmã entrou em coma. Tudo aconteceu em casa de meus pais, a cor dela começou a fica branca como a cal, na altura tínhamos o número de telefone do pastor Gomes, um homem que nos ajudou muito, o qual, toda a minha família lhe está grato. Telefonamos para ele, rapidamente ele chegou a nossa casa, viu o estado da minha irmã e disse aos meus pais para chamar uma ambulância e levá-la ao hospital.

Abro aqui um parêntesis, para dizer que foi uma decisão sábia deste pastor, até porque, já havia uma certa construção, errada, sobre fé, que passado muitos anos, hoje, entendo que é uma construção muito perigosa e sem fundamento bíblico. Muitos cristãos pensam que é falta de fé ir ao médico, na verdade é o oposto. Deus deu dons aos homens, ser médico é dom de Deus, ao recusarmos a medicina, estamos a recusar a graça de Deus sobre nós. Eu creio que Deus faz milagres hoje e muitos, mas, muitos desses milagres vêem até nós, através dos dons, da sabedoria e do conhecimento que Deus disponibilizou a todos. Fecho Parêntesis. 

A ambulância veio e levou a minha irmã acompanhada pela minha mãe, eu e meu pai, fomos num outro carro até ao hospital. Fomos informados, que ela tinha entrado em coma, já ao sair de casa. Quando entrou no hospital, uma grande equipe de médicos e enfermeiros puseram-se de volta dela e a correr, a levaram para dentro de uma sala. Soubemos, passado uma hora, que ainda não tinha saído de coma, não sabiam o que estava a acontecer com o corpo de minha irmã. 

Eu não aguentei mais, tive que vir para fora do hospital, minhas lágrimas corriam como um rio pela minha cara abaixo, estava desesperado, pensei: “perdi minha irmã.” 

Como já mencionei, eu era jogador de futebol, por vezes faltava aos Domingos à igreja, porque na verdade, queria ver os jogos e algumas vezes jogava ao Domingo, apesar de que a maioria dos jogos eram aos Sábados. Foi na rua, fora do hospital, lavado em lágrimas que fiz esta oração: “Senhor, se curares a minha irmã, eu prometo que deixarei o futebol e vou servir-te todos os dias da minha vida.” Talvez você pense: “que oração estranha, parece que está a negociar com Deus”. Para mim, não pareceu nenhum negócio, nem pensava nisso, foi algo que saiu, creio que por inspiração, nem estou a dizer que você tem de fazer o mesmo, caso passe por uma situação idêntica, o que quero dizer, é que naquele dia eu queira que a minha irmã não morresse, estava disposto a tudo, até dar a minha vida em troca da dela. 

Escusado será dizer o que aconteceu, pois minha irmã sobreviveu e eu dediquei a minha vida a servir a Deus, pregando o Evangelho e disponibilizei-me na igreja para fazer o que fosse preciso fazer. Se me perguntarem se faria tudo igual, sabendo o que sei hoje, eu diria que sim, sem olhar para trás. Sei que poderia ser um bom jogador de futebol, mas não troco por aquilo que hoje sou. Saber que minha irmã está bem, dá-me uma alegria que não há dinheiro que pague.

Alguém poderá dizer: “Foi coincidência, se não tivesse orado, ela provavelmente teria sobrevivido”. Continuo a dizer, que faria tudo de igual modo, valeu a pena, porque os anos a seguir até aos dias de hoje, foram anos em que cresci muito como pessoa, aprendi muito e continuo a aprender, conheci a minha esposa e juntos construímos, com a ajuda de Deus, uma família de que nos orgulhamos muito, conheci meio mundo, viajei imenso, temos amigos em vários países, eu sei, se eu e a minha esposa aparecermos em casa de qualquer um amigo nosso, nesses países,  eles nos recebem. Ajudamos a formar dezenas de pastores, ajudamos a abrir igrejas, dezenas e dezenas de igrejas, mais tarde, em outros capítulos falarei mais pormenores. Sabemos que as nossas vidas contribuíram e continuam a contribuir para inspirar a muitos a seguir a Cristo. Talvez o coma da minha irmã, foi a forma do Senhor me recrutar.

 

Memórias de 30 anos de Evangelho - José Fidalgo

15/12/2019 -