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A sociedade em que vivemos tem-se desviado dos padrões que Deus lhe deu, e tal começa exatamente na família. Temos vindo a assistir ao aumento do individualismo, o qual tem conduzido a desestruturação familiar. Assistimos cada vez a mais casamentos destruídos e as crianças continuam a fazer os seus percursos rumo à vida adulta, com os exemplos que lhes vão sendo dados. Fica uma questão: Será realmente preponderante a união do casal, na educação dos filhos?

Em Gén. 2 assistimos ao nascimento do conceito de família, começando com um casal: um homem e uma mulher. Aqui são estabelecidos alguns princípios preciosos, princípios esses que devem ser mantidos em todas as situações, também e principalmente no exercício do papel de pais: Vejamos o vers. 18:" Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.”

Vamos observar este versículo com a atenção que nos merece e perceber alguns princípios estabelecidos por Deus para o Casamento, estendendo-se à educação dos filhos:

Provérbios 22:6 Instruí ao menino no caminho em que deve andar e até quando envelhecer, não se desviará dele.”

Ao olharmos para esta passagem bíblica atentamente, várias perguntas se podem colocar. Vamos analisá-las:

A quem se dirige? Eu diria que esta passagem se dirige a todos os que já não são crianças. O verbo instruir apresenta-se como uma ordem – “Instruí” – deixando compreender que é um dever de todos os adultos, instruir as crianças. Sabemos que a maior responsabilidade sobre a vida de qualquer criança foi dada, por Deus, aos pais. Apesar de alguns pais entenderem que a responsabilidade de instruir cabe à escola e mesmo à igreja (neste caso à igreja infantil), estes elementos são apenas cooperadores nesta função. A responsabilidade principal de instruir cabe aos pais.

Vejamos Deuteronómio 6:6-9 “ E estas palavras que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as intimarás aos teus filhos (…)”A expressão “aos teus filhos” deixa claro que se dirige aos pais. É a eles que cabe, em primeira instância, a responsabilidade de instruir, ou seja ensinar, educar de modo específico.

Abraão e Sara (cujos nomes originais eram Abrão e Sarai) trazem-nos uma história com caraterísticas tão humanas, que nela ficam reveladas a fraqueza, as dúvidas e os medos inerentes a cada pessoa. Mas, independentemente dos erros que eles cometeram (como todos os humanos cometem), a sua história de vida permite-nos uma aprendizagem extraordinária para aplicar nos relacionamentos nas nossas famílias. Encontramos a história desta família a partir de Gen.11:29.

Limitações Humanas não são limites para Deus

Em Gen.15:1-6 podemos ver que Abrão, não tendo filhos, falava com Deus, dizendo que consideraria seu herdeiro o seu mordomo, por ter nascido na sua casa. Mas Deus respondeu, dizendo: (vers. 4) “(…) Este não será o teu herdeiro; mas aquele que de ti será gerado, esse será teu herdeiro.” Portanto, Abrão teve promessa de Deus sobre a sua descendência, mas nem ele nem Sarai compreenderam totalmente que Deus é Deus, poderoso para criar essa descendência de ambos, sem recorrer a estratégias humanas. Os olhos deles só viam a esterilidade de Sarai e com o passar do tempo, essa esterilidade aliada à velhice. Assim somos nós, seres humanos, que quando encontramos uma limitação, uma esterilidade, temos, tal como eles, dificuldade, em ver além dessa limitação.

Uma esterilidade é obstáculo ao desabrochar de algo e isso pode ser aplicável a um filho, como era o caso de Sarai e Abrão, ou a qualquer mudança necessária dentro da família e até mesmo dentro de cada um dos seres que a compõem. Mas Deus não olhou para a limitação de Abrão e Sarai, antes via o Seu plano para eles. E é assim que ainda hoje Deus, o Deus que não muda, é para connosco. Para Ele não há limitação ao Seu plano para as nossas vidas, à Sua promessa e à Sua vontade. Para o nosso Deus não há esterilidade que não possa ser transformada em fruto bom e abundante.

A Primazia da Palavra de Deus

Quando o ser humano vive a experiência da paternidade/maternidade, rapidamente percebe que a educação representa um enorme desafio, que integra momentos de dúvida sobre que decisão ou ação tomar! Por vezes, ouvimos dizer que os filhos não vêm com livro de instruções. No entanto, Deus, o nosso Criador, deixou-nos um manual (chamado Bíblia), o qual tem instruções sobre tudo, incluindo princípios preciosos quanto à educação dos filhos. Cabe a cada pai / mãe colocar esses princípios em prática.

Na verdade, educar os filhos significa implantar princípios nos seus corações, passando ainda pelo treino de capacidades e desenvolvimento de valores, cuja melhor forma de implementar é o exemplo pela prática. É uma das responsabilidades que Deus deu aos pais e não é tarefa fácil, pelo que desengane-se quem julga que por ser pai/mãe de segunda, terceira e mais viagens, tal experiência lhe vai permitir saber perfeitamente como agir…A singularidade de cada filho irá ditar a diferenciação nas estratégias educativas, ainda que os valores que estão na base da educação sejam os mesmos, e decididos dentro de cada família, de modo mais ou menos consciente.

Quem não gostaria de integrar uma família perfeita? Quantos já não ficaram a olhar para determinada família e a pensar: ”Uau, que linda família: Perfeita! Como eu gostava que a minha família fosse assim. Não se chateiam, e estão sempre felizes. Que lindo!”

Pois, hoje a minha reflexão é sobre essa família perfeita! Um dos significados de perfeição é ”ausência de defeito”, ou “algo que não pode ser melhorado”. Mas sabemos que, tal como Paulo afirmou não ser perfeito (em Filipenses 3:12), também nenhum ser humano atinge a perfeição, e sempre há espaço para melhoramentos. E como a família (qualquer uma!) é composta por seres humanos, essa ausência de defeito é algo de inatingível também numa família. Todavia, algumas famílias suscitam olhar de admiração e, infelizmente por vezes –sejamos sinceros- alguma cobiça, parecendo “famílias sempre felizes”, quer passeando na rua, quer com as suas lindas fotos postadas nas redes sociais.