geral@igrejalighthouse.com
Eu creio que Cristo é o Cordeiro imolado antes da fundação do mundo, isto é; tudo foi criado a partir dele, ele é o autor e o gerador da vida. A criação foi redimida antes de ela existir. Muitos acreditam que Adão e Eva foi um erro de Deus e que agora é preciso corrigi-lo, com o tal “plano da salvação”.

A verdade é que Deus não errou em nada.

A rejeição da verdade de Deus é o problema da humanidade.

Pois a Escritura afirma que: “Tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, mudaram a glória do Deus incorruptível, mudaram a verdade de Deus em mentira e isso trouxe um preço alto, o homem ficou entregue a si mesmo, entregue ás paixões infames, à prática do mal”. Tudo começou com a imolação da vida, a vida precisava de ser imolada para se multiplicar, tal e qual como uma semente , que antes de se multiplicar morre, assim foi, a explosão da vida na criação, a Vida nasce da imolação.

A Escritura afirma: “Ele estava no principio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e , sem ele, nada do que foi feito se fez. Nele estava a Vida, e a Vida era a luz dos homens.”

Deus é, também, o criador do mal. Deus criou o mal como conceito abstracto, como antítese do bem. Deus é santo, mas como poderemos saber o que é santo, se não entendermos o oposto? Deus é bom, mas como poderemos saber o que é bom, se não entendermos o que é mau? Deus é amor, mas como poderemos saber o que é amor, se não conhecermos o que é odiar? Assim sendo, Deus criou o mal como conceito.

Deus não criou robots, mas sim, seres com vontade própria e livre arbítrio, quem o adora, o adora não por obrigação mas por amor, por tudo o que ele é e representa. É uma escolha de livre vontade.

Assim também, foi por livre vontade, que Lúcifer decidiu encarnar o conceito do mal. As Escrituras afirmam que Lúcifer desejava ocupar o lugar de Deus, querendo ser Deus, sentar-se no trono de Deus.

Não só encarna o conceito do mal, como convence uma terça parte dos anjos a fazer o mesmo. O mal passa a ser real e susceptível de se multiplicar. Ao contrário do que se possa pensar, não foi erro de Deus, foi decisão de Lúcifer. Alguém poderá dizer: “Se Deus não tivesse criado o conceito do mal, nada disto aconteceria...” Sim, provavelmente, mas seríamos completamente mecanizados, sem vontade própria.

Lúcifer toma a decisão sem interferência de terceiros, a sua decisão foi lúcida, limpa ao contrário de Adão e Eva. Lúcifer foi o interveniente convincente na decisão de Eva.

Adão é criado por Deus, colocado num ambiente diferente, num jardim lindíssimo, segundo as Escrituras, foi colocado para ser o guardião e o tratador desse jardim, onde Deus passeava todos os dias ao virar do dia. Deus viu que não era bom o Homem viver só, assim sendo, Deus faz adormecer Adão num sono profundo, uma espécie de anestesia geral. É-lhe retirado uma costela, e da costela, Deus formou a mulher dando-a a Adão. Não havia leis, apenas, simples instruções; “criai e multiplicai-vos, enchei a terra, dou-te a terra para dominares e prosperares”. Apenas um pedido especial e rigoroso; “Podes comer do fruto de todas as árvores que produz, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, não podes comer, porque se o comeres, certamente morrerás”. Quanto ao resto não havia lei. Deus não escondeu do homem, a árvore e nem o fruto do conhecimento do bem e do mal. Por esta altura, tanto o bem real como o mal real estavam à vista, o fruto era bem visível aos olhos de Adão e Eva, nada foi ocultado por Deus, inclusive não lhes foi ocultado as consequências, se optassem por comer do fruto. Ao contrário do que a serpente lhes disse, eles podiam tocar no fruto, mas não deviam comê-lo. Deus não poderia ocultar o que era real, o bem é real, mas o mal também o é. Nós, como pais, tentamos fazer com os nossos filhos o mesmo, nossos filhos precisam de saber a realidade da vida, o pai que oculta a realidade de uma parte da vida, não prepara os seus filhos para a vida. No entanto, a preparação para vida não é necessariamente, que tenham de provar o lado oculto e negro da vida, no entanto precisam de estar informados de que esse lado existe e que se optarem por ele, provando, podem ter consequências graves.

Segundo o que está escrito, a Vida era a luz dos homens, Adão e Eva não tinham necessidade de viverem entre o bem e o mal, bastava apenas, que a Vida de Deus fosse a luz deles. A escolha de Adão e Eva foi desastrosa para a humanidade, não tendo a Vida como luz, passou a ter a Morte como trevas no caminho deles. Em pouco tempo o fruto da morte se fez notar, com o primeiro homicídio. Abel é assassinado pelo irmão Caím.

Nessa altura não havia lei que pudesse julgar este homicídio, a consciência do homem não tinha capacidade de discernir, sendo filhos de Adão, nem mesmo Adão sabia o que fazer com o assunto. O que é um homicídio para Adão? Provavelmente, não fazia a mínima ideia. Pois não havendo lei, não há transgressão. Só sabemos que transgredimos porque a lei nos diz, ora não havendo lei, tudo é válido pela consciência de cada um. A consciência tornou-se lei naquele tempo e durante muito tempo, inclusive até nos dias de hoje e vários lugares neste mundo.

Deus teve que julgar este homicídio porque a terra clama por justiça e a justiça foi feita pelo próprio Deus. Esta é a grande questão de sempre na humanidade, julgar transgressões. Deus é Santo e Justo. E assim sendo, nenhuma transgressão pode andar sem que seja julgada. O julgamento da transgressão tem de ter uma expiação, um fim. Transgressão que não é julgada produz a multiplicação da injustiça, da maldade e nos leva à destruição e morte. O homem, infelizmente tem escolhido o lado errado.

Deus fez alguns julgamentos ao longos dos tempos, para além de julgar Adão, Eva, Caím, julgou também a humanidade até Noé. O dilúvio foi a consequência das transgressões que se multiplicavam de forma obscena. Julgou os anjos desse tempo até que chegou os 10 mandamentos, a lei de Moisés e todo o culto divino à volta de todo o simbolismo que representava o tabernáculo construído por Moisés. Qual foi o grande propósito? Julgar as transgressões dos homens. A lei era agora implacável, pois agora, não havia desculpa, nem mesmo a consciência do homem poderia decidir pela lei. Lei é lei. Hoje existe uma grande e variada discussão sobre a lei de Deus, ou a lei de Moisés, que ao ser apelidada como a lei de Deus, tornou-se ainda mais implacável ao ponto de que; quem transgredisse um só artigo, seria culpado de todos.

No entanto, o grande alvo era travar o aumento das transgressões, teriam de ser julgadas e havendo culpado, teria de ser condenado, a não ser que, um animal inocente pagasse o dano, fosse condenado no lugar do transgressor. Todos os anos, era uma chacina de animais, mortos nas vezes dos transgressores e assim, o sangue desses animais era aceite como remissão.

E assim se fazia, até que o perfeito Cordeiro, o Único, o Santo, o Justo, o Messias, o Eu Sou se manifestasse em carne, em pessoa, para cumprir aos olhos de todos, o que ele já tinha feito antes da fundação do mundo. O quê? Que toda a criação está redimida, que a Vida é e sempre será a luz do caminho dos homens, por isso ele nos anuncia o Evangelho que é o poder de Deus para a Salvação de todos os homens, é o Evangelho a Vida, é o Evangelho a luz do caminho de todos, foi o Evangelho que Abraão ouviu e creu. É o Evangelho que justifica o homem diante de Deus pela fé. Quem rejeitar esta luz já está condenado, quem a recebe, quem a abraça, que a acolhe tem a Vida Eterna, porque esse sempre foi o propósito de Deus para o homem, viver eternamente sem transgressão.

Este Cordeiro de Deus vem fazer o que os antigos faziam com os bois, bodes e cordeiros, este numa só oblação nos aperfeiçoou para sempre. Todas as nossas transgressões estão julgadas em Cristo Jesus, assim sendo a morte não tem mais poder sobre todos aqueles que crêem em Cristo. Daí que a maior promessa do Evangelho é a ressurreição, Cristo foi as primicias e nós sermos também com ele ressuscitados. Enquanto esperamos a nossa ressurreição, vivemos por uma nova lei, a lei da fé em Cristo Jesus, a lei do amor, tudo se resume: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, com todas as tuas forças e o teu próximo como a ti mesmo". Fazendo assim, cumpriremos a lei sem transgredir, esta é a justiça de Deus que temos de buscar, para que a morte não tenha mais poder em nós.

José Fidalgo

01/09/2020